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Entre razões e emoções, os dois

Arquivado em: Sem Categoria — karlatitude at 11:01 pm on Quarta-feira, Agosto 6, 2008

 

Estive tão ocupada durante estes dias que me faltou tempo para escrever. Escrevo não por obrigação, na verdade não sei o que faria se tivesse uma coluna diária em um jornal, deixo minha admiração ao professor Vicente Serejo, entretanto, nada como escrever quando se tem vontade, escrever por prazer. Prazer, palavra moderna, em nome dela o homem do século XXI abriu mão de seus princípios, das convenções sociais e de preciosidades como a amizade e o amor. Amor, palavra antiga, mas rara em nossos dias, não por não ser menciona, de tão mencionada já foi até banalizada, mas por ser pouco vivenciada, pois amor, nem sempre traz consigo prazer, muito pelo contrário. “O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”, amor não é só emoção ou romantismo, é decisão, é entrega, é verdade.

“Entre razões e emoções a saída é fazer valer pena”, grita a banda de rock juvenil, Honoré de Balzac escreveu dizendo que as pessoas que resolvem coisas do coração com a razão são medíocres. Entre Di Ferrero e Balzac, 200 anos de distância, entretanto, não importa a época, a pessoa, a origem, sempre existirá o momento em que estaremos entre a razão e a emoção. Não estou aqui pra te dar respostas, só você sabe que caminho escolher, pois cada caminho possui seus sabores e dessabores, quanto a mim, eu abro mão do prazer para amar, sabendo que amar não é uma emoção e sim um verbo, cuja ação independe das circunstâncias. Eu amo você, é muito mais racional do que a gente imagina.

Racional porque não se ama apenas com palavras, ou atitudes românticas. Uma mãe ama o filho na hora em que abre mão do seu corpo escultural, de suas noites de sono; na hora em que prioriza o rebento em detrimento de seu prazer pessoal. Um amigo ama o outro na hora em que não faz exigências, nas ligações despretensiosas, nos conselhos e no respeito em aceitar que apesar da sua opinião a decisão pertence ao outro. Deus é amor, e provou isso. Ele não apenas falou ou escreveu, Ele abriu mão do que tinha de mais precioso e sofreu com isso. Uma pessoa ama quando o seu prazer está no prazer do outro.

Apesar de falar sobre o amor há três parágrafos, confesso que teorizar sobre o assunto é bem mais fácil que executá-lo. O nosso amor normalmente não é incondicional, estamos sempre com nossos olhos fitos em nós mesmos, o que nos impede de experimentarmos o amor de Coríntios 13, tão aclamado em celebrações de boda. Mas como imaginar um amor paciente, benigno, sem ciúmes, sem brigas, que não busca seus interesses? Um amor que se alegra com a justiça e com verdade, que tudo sofre, crê, espera e suporta? Você conhece algum amor assim? Já se sentiu amado dessa forma? Já amou desse jeito? Os egoístas nunca vivenciarão esse amor, os narcisistas também não, os orgulhosos, os soberbos, os mentirosos, os fracos, não conseguirão amar assim. Esse tipo de amor pertence aos nobres.

Os fracos preferem o divórcio, usam o email ao invés do tradicional olho no olho, eles desistem diante do gigante e não aceitam as mudanças que o amor traz, por isso, preferem os relacionamentos abertos, o “morar junto pra vê se dá certo”, as paixões efêmeras, a impessoalidade. Ceder? Jamais. Os fracos têm medo do amor. Medo de perder o controle, medo de sofrer, de chorar, de sentir dor. Coragem é virtude dos que amam.

Entre razões e emoções? Escolhi os dois. Entre amizade e amor, amo o amigo e sou amiga do amante. Descubra o prazer no sorriso no outro, que esse fará esforços pra te vê sorrindo. Conjugue o verbo amar no presente, pois aqueles que o conjugam no passado morrerão de arrependimento. Se for preciso, use o imperativo, lembrando que esse tempo verbal só cabe a você mesmo, pois é tempo perdido exigir o amor de alguém.


Karla Correa

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