Meus 25 anos
Existem imagens que mesmo com o passar dos anos não saem da nossa mente. Infelizmente não sei explicar porque não conseguimos lembrar de coisas significativas do nosso passado, mas outras, aparentemente sem importância, permanecem guardadas em nossa memória. Na minha infância estudei na escola Gua-ra-ra-pes, lembro-me de como foi complicado aprender a escrever esse nome, era uma ótima escola, e eu sempre fui uma excelente aluna. Estudei lá durante sete anos, vivi momentos maravilhosos, outros de muita dor.
Pular elástico na hora do intervalo, era bom. Nunca ter dinheiro para comprar o lanche e não poder participar das excursões, era péssimo. Receber elogios dos professores e o boletim da 4ª séria com nota 10 em todos os bimestres, foi formidável. Ainda teve os amigos que fiz, mas que não permaneceram… recordo-me de muitas coisas, esqueci-me de muitas outras, entretanto, uma informação eu não esqueci. Em uma das aulas, com alguma professora, em algum livro, estava escrito: a faixa etária correspondente a juventude se encerra aos 25 anos.
No auge dos meus 10 anos de idade pensei: ainda tenho muito tempo pela frente, mas no fundo sabia que minha vida só teria sentido enquanto fosse jovem. Ao me aproximar dos 25 percebi que pouca coisa iria mudar, eu já tinha tantas responsabilidades, o que poderia ficar diferente? Tinha a sensação de que sempre seria a mesma menina, muitas vezes ingênua, impulsiva, que falara sem pensar, que não se importava em falar alto, em cair no chão de tanto rir, de brincar… Finalmente cheguei aos 25 e como imaginei, nada mudou.
Agora, em meados dos 26, percebo que talvez aquele livro, talvez aquela professora, quisessem dizer que sempre chega um momento nas nossas vidas em que é necessário amadurecer, e isso pode ocorrer aos 25 ou até aos 40, 50, 60 anos, é uma questão muito pessoal. A verdade é que no decorrer do processo iremos nos deparar com situações que nos exigirão uma outra postura. Comigo aconteceu há pelo menos um mês.
Diante de uma situação de extrema pressão agi como se tivesse aqueles 10 anos de idade. Nada que pudesse surpreender, pois foi uma reação bem característica da minha pessoa, a diferença foi que dessa vez não aceitaram aquela velha desculpa: “ela é muito jovem ainda, tem muito o que aprender”. Pra falar a verdade, nem eu acreditei que eu ainda pudesse reagir tão impulsivamente a essa altura da vida. Então percebi que havia chegado a hora. Hora de parar e refletir sobre esse momento pós-juventude que acabará de entrar.
Participaram do processo pessoas, livros e situações. Eu mergulhei em busca de uma Karla pós-25, uma nova pessoa, ou seria “velha” pessoa?, enfim, precisava me reencontrar. Nessa busca aprendi coisas fantásticas. O livro “Perdas e Ganhos” me ensinou a beleza da velhice, amadurecer é muito bom e trás bem menos sofrimento. Já com “A Última Grande Lição”, aprendi que a vida é boa demais, é preciso descomplicá-la. Em “Marley y Eu”, me acabei de chorar com a história de um cãozinho que esbanjava vivacidade. “O Poder da Gratidão” não consegui terminar de ler, ele tem um perfil típico de auto-ajuda, com dicas e receitas que é um saco, mas contribuiu para eu verificar como tenho motivos para ser grata.
Busquei meus amigos, abracei, beijei e me senti amada por eles. Conheci outros lugares, pessoas diferentes, hábitos distintos dos meus… O resultado desta experiência foi a descoberta do que não consigo e nem quero ser, uma pessoa morna, “antes frio do que morno”. Quanto ao que quero me tornar, acredito que essa busca não terá fim, estamos em constante mutação, o nosso corpo muda a cada dia, e não pode ser diferente com a nossa mente. Estou ansiosa para chegar aos 30 e ver o quanto melhorei, aos 40 e ver como é lidar com a lei da gravidade, aos 50 e já está mais conformada com “a maldita”, aos 60, 70, 80 e até quando Deus me permitir, estarei viva e sorrindo.
Há traços da minha personalidade que nunca mudarão, mas sei que posso melhorar em muitos aspectos. Que tal parar de fazer interpretações das palavras e situações? Ou quem sabe parar de esperar o amor das pessoas. Que tal plantar flores, ao invés de esperar que alguém as traga? Ligar pode ser bem melhor do que esperar a chamada. Estar sozinha nem sempre é estar triste, e também pode ser uma opção. Que tal parar de esperar compreensão?
Hoje sei que tenho valores fundamentais, que não mudarão de jeito nenhum. O meu amor pelo meu Criador, a minha gratidão por tudo que Ele fez na minha vida, o meu desejo de sempre fazer a Sua vontade e o anseio de passar a minha eternidade com Ele, nunca vai passar. A minha família sempre será o meu porto seguro. Os meus amigos sempre estarão disponíveis, basta que eu ligue. O meu cachorro vai balançar o rabo cheio de alegria, sempre que eu chegar em casa. Eu sempre vou acreditar no amor, na amizade, e sempre vou adorar dar e receber carinho. Descobri que não sou mas jovem e adorei!
Karla Correa
